Educação: uma fronteira balizada pelo poder e pela desigualdade?
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Criatividade parece não compor o mesmo quadro cujas normas, nivelamentos e padronizações apresentam-se enquanto “palhetas” de um cenário que, com o tempo, parece desbotar...
De fato, ao lembrar-me do livro “A corrosão do caráter”, de Richard Sennett, penso ser correto afirmar que não foram apenas as formas de produção e seu lebensstil que mudaram drasticamente ao longo do conturbado século XX. Basicamente a forma como interpretamos o mundo, como o codificamos, interagimos e nos lembramos dele também mudou. A expectativa de vida e, principalmente, de lugar econômico, social e político também se transformou. Entretanto, como Pierre Bourdieu sinalizou ser uma de suas problematizações sempre presentes aos objetos e fenômenos de seu estudo, algo se manteve; as “mutações” não foram (e não serão integrais), não atingiram à todas esferas dos espaços sociais.
Algo continuou a se reproduzir e a se manter enquanto parte de um capital que, ainda que de valor relevante às relações sociais atuais do nosso mundo, possivelmente acusará sinais de esgotamento. A educação é apenas um dos diversos cenários erigidos pelo homem que, em última instância é também peça integrante de um processo histórico cujo acesso não foi pensado para todos; e cujo domínio é cientificamente normatizado de forma a não reconhecer, e, portanto legitimar, formas diferentes de construção, fixação e reprodução do conhecimento.
Creio que a palestra de Sir Ken Robinson elucida muito bem parte deste pequeno ensaio, quase que com pretensões aforísticas, posto aqui. Para Robinson, o medo de errar, partilhado em nossa cultura capitalista e de consumo, tornou-se sinônimo de algo contraproducente. Acabou por limitar nossa capacidade criativa. Os antigos liceus produziram por décadas muitos dos protagonistas do pensamento intelectual mundial. Continuam produzindo... Mas já é notório que a produção do conhecimento nos últimos anos vem sendo realizada de maneira mais e mais rizomática. Criatividade talvez seja uma chave. Não creio ser ela a única, mas definitivamente a afirmação de Robinson, sobre a criatividade, de que “somos ensinados a abandoná-la” vale uma reflexão mais longa. Reflexão sobre a “inflação acadêmica” onde os “alicerces” da nossa educação podem estar se corroendo tanto quanto aqueles que já ruíram há tempos no mundo do trabalho, objeto de estudo de Sennett.
De fato, o que aprendemos nas escolas e nas universidades hoje pode ser averiguado quase que “em tempo real” através das telas dos computadores. As antigas enciclopédias que ocuparam estantes nas casas de famílias brasileiras de classe média alta não mais são necessárias, pois os irmãos caçulas destes estudantes checam as informações na web.
Muitos se perguntam quanto à credibilidade de algumas informações, ou à solidez do conhecimento e formação que são hoje pautados também pelos acessos e hits realizados no espaço eletrônico da internet. O receio, aliás, me parece ser mais balizado pela maior impossibilidade do controle deste processo (diferentemente quando apenas se dava através das instituições de ensino e pelo mercado editorial que registrava a informação), uma vez que tal poder vem se pulverizando mais e mais a cada dia. O que fazer? Pensemos todos na resposta, com “criatividade”.
Referências:
BOURDIEU, Pierre. PASSERON, Jean-Claude. (2011). A Reprodução: Elementos para uma teoria do sistema de ensino. 4ª ed. Rio de Janeiro: Vozes.
BOURDIEU, Pierre. (2003). A Economia das Trocas Simbólicas (org. Sergio Miceli); coleção Estudos. 5ª Edição. São Paulo: Editora Perspectiva.
_____________. (1994). Raisons Pratiques: sur La théorie de l’action. Col. Essais. Paris : Seuil.
ROBINSON, Sir Ken. “Schools kills creativity”. Technology, Entertainment, Design (TED) Conferences, 2006. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=0pn_oTIwy4g&feature=player_embedded#!
SENNETT, Richard. (2005). A corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Trad. Marcos Santarrita. 9ª edição. Rio de Janeiro.
Cineastas, documentaristas, filmmakers e produtores de todo o mundo estão convidados a enviar seus filmes sobre o complexo nuclear ou radioatividade até 31 de janeiro de 2012. O Festival Internacional de Filmes sobre Energia Nuclear e Urânio Rio de Janeiro (International Uranium Film Festival) é o único festival de filmes independentes, especializado na temática nuclear, abordando todos os seus aspectos: questão filosófica sobre tecnologia, mineração de urânio e de minérios associados, usinas nucleares, armas e munições, navios nucleares, equipamentos e tratamentos médicos, radiação de alimentos, radioatividade, transporte e armazenamento de lixo radioativo. É um festival educativo sobre os riscos nucleares mundial.
O Festival de Cinema de urânio aceita curtas-metragens independentes, documentários, filmes. Também filmes de animação e clipes de música / vídeos também são bem-vindas. O festival aceita os seguintes formatos para os finalistas: 35mm, Beta analógica, Blu-Ray, MiniDV, DVD.
O Festival Internacional de Cinema de urânio premia os melhores filmes a abordar a questão nuclear e os riscos radioactivos: dois prêmios do júri para o melhor curta eo melhor longa-metragem. Audiência dois prêmios para o melhor curta eo melhor longa-metragem. O júri de sete membros internacional é criado por especialistas em cinema, cientistas, educadores, jornalistas e ativistas. Os vencedores finais do concurso serão anunciados na cerimônia de premiação do festival.
Leia mais em UraniumFilmFestival.org
Retirado do blog Cine Anima
Mais do mesmo: Regulamentação da profissão de físico avança na Câmara
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
No dia 30 de novembro, houve a aprovação da lei (em uma etapa inicial) que regulamenta a profissão do físico. Já até falei sobre isso aqui e aqui.
A próxima etapa é o envio do projeto para a Comissão de Constituição e Justiça, sendo aprovado vai para o Senado e só então vai para Dilma para ser oficializado na forma de Lei. Até lá, SBF (Sociedade Brasileira de Física) e a ABFM (Associação Brasileira de Física Médica) estão tentando incluir alguns reparos e inclusões. "Tivemos uma reunião com o deputado Mendes Thame no último dia 10 e destacamos a necessidade de inclusão de itens específicos relacionados às atividades em Física Médica e em Geofísica", afirma Amando Ito, presidente da Comissão de Regulamentação da SBF. "Ficou acordado que essas alterações seriam apresentadas pelo deputado na ocasião oportuna."
A solicitação conjunta da SBF e da ABFM tem o sentido de especificar melhor a prática profissional em Física Médica e Geofísica, descrevendo com precisão que atividades podem ser exercidas pelos devidamente qualificados.
Vamos ver no que dá.
Fonte: SBF
A SNM disponibilizou seu material informativo referente a aplicações do PET em português. Vale a pena a visita.
- Nenhuma espécie conhecida de rena pode voar, mas pesquisas recentes indicam que é provável que existam cerca de 9 milhões de organismos vivos ainda não classificados, com 6,5 milhões deles vivendo na terra e 2,2 milhões nos oceanos. Apesar da maioria destes ser formada por seres muito pequenos, isto não elimina TOTALMENTE a possibilidade de eixtirem renas voadoras que somente o Papai Noel já viu.
- Vamos partir de duas premissas. 1) Só recebe presente do Papai Noel quem acredita nele e 2) só crianças boazinhas recebem presentes do Papai Noel. Considerando isso, existem 2.2 bilhões de crianças no mundo (menores de 18 anos), mas já que o Papai Noel não visita muçulmanos, hindus, judeus ou budistas, isso reduz a carga de trabalho por 85% do total - deixando 330 milhões a serem visitadas. De acordo com a ONU, há uma média de 3,5 crianças por lar, que nos leva a aproximadamente 94,3 milhões de casas. Sou uma pessoa otimista, então imagino que haja, pelo menos, uma criança boazinha por casa. É um trabalho e tanto!
- Papai Noel tem 31 horas de Natal para trabalhar, graças à diferentes fusos horários e à rotação da Terra, assumindo que ele viaja de leste para oeste (o que parece lógico). Isso nos leva a meras 845 visitas por segundo. Isso é para dizer que, para cada lar cristão com uma criança boazinha, Papai Noel tem 1/1000 de segundo para estacionar, saltar do trenó, descer pela chaminé, encher as meias, distribuir os presentes restantes sob a árvore, comer o lanche que tenha sido deixado, voltar pela chaminé, entrar novamente no trenó e seguir para a próxima casa. Assumindo que cada uma destas 94,3 milhões de paradas estão uniformemente distribuídas em torno da Terra (que, naturalmente, sabemos ser falso, mas, somos físicos, podemos aceitar assim para efeitos de cálculos), agora estamos falando de 1,26 km por agregado familiar, um viagem total de 75,5 milhões de quilômetros, sem contar idas ao banheiro, mais alimentação, etc. Isso significa que o trenó do Papai Noel está se movendo a 650 km/s, 3000 vezes a velocidade do som.
- A carga útil do trenó representa um outro elemento interessante. Assumindo que cada criança recebe nada mais que um Lego de médio porte (500 g), o trenó estará carregando 321300 toneladas, sem contar o Papai Noel em si, que é invariavelmente descrito como obeso. Em terra, uma rena convencional não consegue puxar mais de 300 quilos. Mesmo admitindo a "rena voadora" possa puxar dez vezes esse valor normal, não podemos fazer o trabalho com oito ou nove. Precisamos de 214200 renas. Isto aumenta a carga - sem sequer contar com o peso do trenó para 353430 toneladas.
- 353000 toneladas viajando a 650 km/s cria enorme resistência do ar. Isto queimaria as renas voadoras da mesma maneira que nave espacial é queimada na atmosfera ao entrar na Terra. O primeiro par irá absorver 14,3 quintilhões de joules de energia por segundo. Em suma, eles vão explodir em chamas quase que instantaneamente, expondo as renas atrás delas e criando um boom sônico ensurdecedor em seu rastro. A equipe inteira de renas será vaporizada em 4,26 milésimos de segundo. Não vou nem falar no pobre do Papai Noel...
Claro que, nesta dimensão, com a física que conhecemos, se o Papai Noel tivesse existido, teria sido morto em sua primeira experiência. Mas como bons físicos que somos, podemos extrapolar nossos cálculos para uma dimensão onde nada disso importa e o Papai Noel existirá com a cara que cada um de nós quer dar, com o nome que cada um de nós escolher e continuará espalhando os presentes mais valiosos que podemos receber.
Boas Festas a todos!
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