Como fazer uma resenha

quarta-feira, 28 de março de 2012
Pedi a meus alunos que me entregassem resenhas de artigos e fiquei na dúvida se efetivamente eles sabem o que é e como fazer uma resenha. Encontrei o texto que reproduzo neste post no site de produção textual da PUCRS e acredito que ele resume bem todos os tópicos necessários sobre este assunto.

Como elaborar uma resenha


1. Definições

Resenha-resumo:
     É um texto que se limita a resumir o conteúdo de um livro, de um capítulo, de um filme, de uma peça de teatro ou de um espetáculo, sem qualquer crítica ou julgamento de valor. Trata-se de um texto informativo, pois o objetivo principal é informar o leitor.

Resenha-crítica:
     É um texto que, além de resumir o objeto, faz uma avaliação sobre ele, uma crítica, apontando os aspectos positivos e negativos. Trata-se, portanto, de um texto de informação e de opinião, também denominado de recensão crítica.


2. Quem é o resenhista

     A resenha, por ser em geral um resumo crítico, exige que o resenhista seja alguém com conhecimentos na área, uma vez que avalia a obra, julgando-a criticamente.


3. Objetivo da resenha

     O objetivo da resenha é divulgar objetos de consumo cultural - livros,filmes peças de teatro, etc. Por isso a resenha é um texto de caráter efêmero, pois "envelhece" rapidamente, muito mais que outros textos de natureza opinativa.


4. Veiculação da resenha

     A resenha é, em geral, veiculada por jornais e revistas.


5. Extensão da resenha

     A extensão do texto-resenha depende do espaço que o veículo reserva para esse tipo de texto. Observe-se que, em geral, não se trata de um texto longo, "um resumão" como normalmente feito nos cursos superiores ... Para melhor compreender este item, basta ler resenhas veiculadas por boas revistas.


6. O que deve constar numa resenha

Devem constar:
  • O título
  • A referência bibliográfica da obra
  • Alguns dados bibliográficos do autor da obra resenhada
  • O resumo, ou síntese do conteúdo
  • A avaliação crítica

7. O título da resenha

     O texto-resenha, como todo texto, tem título, e pode ter subtítulo, conforme os exemplos, a seguir:
    Título da resenha: Astro e vilão
    Subtítulo: Perfil com toda a loucura de Michael Jackson
    Livro: Michael Jackson: uma Bibliografia não Autorizada (Christopher Andersen) - Veja, 4 de outubro, 1995

    Título da resenha: Com os olhos abertos
    Livro: Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago) - Veja, 25 de outubro, 1995

    Título da resenha: Estadista de mitra
    Livro: João Paulo II - Bibliografia (Tad Szulc) - Veja, 13 de março, 1996

8. A referência bibliográfica do objeto resenhado

     Constam da referência bibliográfica:
  • Nome do autor
  • Título da obra
  • Nome da editora
  • Data da publicação
  • Lugar da publicação
  • Número de páginas
  • Preço
Obs.: Às vezes não consta o lugar da publicação, o número de páginas e/ou o preço.

Os dados da referência bibliográfica podem constar destacados do texto, num "box" ou caixa.

Exemplo: Ensaio sobre a cegueira, o novo livro do escritor português José Saramago (Companhia das Letras; 310 páginas; 20 reais), é um romance metafórico (...) (Veja, 25 de outubro, 1995).


9. O resumo do objeto resenhado

     O resumo que consta numa resenha apresenta os pontos essenciais do texto e seu plano geral.

     Pode-se resumir agrupando num ou vários blocos os fatos ou idéias do objeto resenhado.

     Veja exemplo do resumo feito de "Língua e liberdade: uma nova concepção da língua materna e seu ensino" (Celso Luft), na resenha intitulada "Um gramático contra a gramática", escrita por Gilberto Scarton.

     "Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, a inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática lingüística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas de português".

     O velho pesquisador apaixonado pelos problemas de língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação lingüística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e lingüística;o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos lingüistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante".
     Pode-se também resumir de acordo com a ordem dos fatos, das partes e dos capítulos.

     Veja o exemplo da resenha "Receitas para manter o coração em forma" (Zero Hora, 26 de agosto, 1996), sobre o livro "Cozinha do Coração Saudável", produzido pela LDA Editora, com o apoio da Beal.
Receitas para manter o coração em forma


     "Na apresentação, textos curtos definem os diferentes tipos de gordura e suas formas de atuação no organismo. Na introdução os médicos explicam numa linguagem perfeitamente compreensível o que é preciso fazer (e evitar) para manter o coração saudável.

     As receitas de Cozinha do Coração Saudável vêm distribuídas em desjejum e lanches, entradas, saladas e sopas; pratos principais; acompanhamentos; molhos e sobremesas. Bolinhos de aveia e passas, empadinhas de queijo, torta de ricota, suflê de queijo, salpicão de frango, sopa fria de cenoura e laranja, risoto com açafrão, bolo de batata, alcatra ao molho frio, purê de mandioquinha, torta fria de frango, crepe de laranja e pêras ao vinho tinto são algumas das iguarias".
10. Como se inicia uma resenha

     Pode-se começar uma resenha citando-se imediatamente a obra a ser resenhada. Veja os exemplos:

     "Língua e liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino" (L&PM, 1995, 112 páginas), do gramático Celso Pedro Luft, traz um conjunto de idéias que subvertem a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veementemente, o ensino da gramática em sala de aula.
     Mais um exemplo:
     "Michael Jackson: uma Bibliografia Não Autorizada (Record: tradução de Alves Calado; 540 páginas, 29,90 reais), que chega às livrarias nesta semana, é o melhor perfil de astro mais popular do mundo". (Veja, 4 de outubro, 1995).

     Outra maneira bastante freqüente de iniciar uma resenha é escrever um ou dois parágrafos relacionados com o conteúdo da obra.

     Observe o exemplo da resenha sobre o livro "História dos Jovens" (Giovanni Levi e Jean-Claude Schmitt), escrita por Hilário Franco Júnior (Folha de São Paulo, 12 de julho, 1996).

O que é ser jovem

Hilário Franco Júnior

     Há poucas semanas, gerou polêmica a decisão do Supremo Tribunal Federal que inocentava um acusado de manter relações sexuais com uma menor de 12 anos. A argumentação do magistrado, apoiada por parte da opinião pública, foi que "hoje em dia não há menina de 12 anos, mas mulher de 12 anos".

     Outra parcela da sociedade, por sua vez, considerou tal veredito como a aceitação de "novidades imorais de nossa época". Alguns dias depois, as opiniões foram novamente divididas diante da estatística publicada pela Organização Mundial do Trabalho, segundo a qual 73 milhões de menores entre 10 e 14 anos de idade trabalham em todo o mundo. Para alguns isso é uma violência, para outros um fato normal em certos quadros sócio-econômico-culturais.

     Essas e outras discussões muito atuais sobre a população jovem só podem pretender orientar comportamentos e transformar a legislação se contextualizadas, relativizadas. Enfim, se historicizadas. E para isso a "História dos Jovens" - organizada por dois importantes historiadores, o modernista italiano Giovanno Levi, da Universidade de Veneza, e o medievalista francês Jean-Claude Schmitt, da École des Hautes Études em Sciences Sociales - traz elementos interessantes.

     Observe igualmente o exemplo a seguir - resenha sobre o livro "Cozinha do Coração Saudável", LDA Editores, 144 páginas (Zero Hora, 23 de agosto, 1996).

Receitas para manter o coração em forma

Entre os que se preocupam com o controle de peso e buscam uma alimentação saudável são poucos os que ainda associam estes ideais a uma vida de privações e a uma dieta insossa. Os adeptos da alimentação de baixos teores já sabem que substituições de ingredientes tradicionais por similares light garantem o corte de calorias, açúcar e gordura com a preservação (em muitos casos total) do sabor. Comprar tudo pronto no supermercado ou em lojas especializadas é barbada. A coisa complica na hora de ir para a cozinha e acertar o ponto de uma massa de panqueca,crepe ou bolo sem usar ovo. Ou fazer uma polentinha crocante, bolinhos de arroz e croquetes sem apelar para a frigideira cheia de óleo. O livro Cozinha do Coração Saudável apresenta 110 saborosas soluções para esses problemas. Produzido pela LDA Editora com apoio da Becel, Cozinha do Coração saudável traz receitas compiladas por Solange Patrício e Marco Rossi, sob orientação e supervisão dos cardiologistas Tânia Martinez, pesquisadora e professora da Escola Paulista de Medicina, e José Ernesto dos Santos, presidente do departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia e professor da faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Os pratos foram testados por nutricionistas da Cozinha Experimental Van Den Bergh Alimentos.

     Há, evidentemente, numerosas outras maneiras de se iniciar um texto-resenha. A leitura (inteligente) desse tipo de texto poderá aumentar o leque de opções para iniciar uma recensão crítica de maneira criativa e cativante, que leva o leitor a interessar-se pela leitura.

11. A crítica

     A resenha crítica não deve ser vista ou elaborada mediante um resumo a que se acrescenta, ao final, uma avaliação ou crítica. A postura crítica deve estr presente desde a primeira linha, resultando num texto em que o resumo e a voz crítica do resenhista se interpenetram.

     O tom da crítica poderá ser moderado, respeitoso, agressivo, etc.

     Deve ser lembrado que os resenhistas - como os críticos em geral - também se tornam objetos de críticas por parte dos "criticados" (diretores de cinema, escritores, etc.), que revidam os ataques qualificando os "detratores da obra" de "ignorantes" (não compreenderam a obra) e de "impulsionados pela má-fé".


12. Exemplos de resenhas

     Publicam-se a seguir três resenhas que podem ilustrar melhor as considerações feitas ao longo desta apresentação.
Atwood se perde em panfleto feminista

Marilene Felinto
Da Equipe de Articulistas

     Margaret Atwood, 56, é uma escritora canadense famosa por sua literatura de tom feminista. No Brasil, é mais conhecida pelo romance "A mulher Comestível" (Ed. Globo). Já publicou 25 livros entre poesia, prosa e não-ficção. "A Noiva Ladra" é seu oitavo romance.

     O livro começa com uma página inteira de agradecimentos, procedimento normal em teses acadêmicas, mas não em romances. Lembra também aqueles discursos que autores de cinema fazem depois de receber o Oscar. A escritora agradece desde aos livros sobre guerra, que consultou para construir o "pano de fundo" de seu texto, até a uma parente, Lenore Atwood, de quem tomou emprestada a (original? significativa?) expressão "meleca cerebral".

     Feitos os agradecimentos e dadas as instruções, começam as quase 500 páginas que poderiam, sem qualquer problema, ser reduzidas a 150. Pouparia precioso tempo ao leitor bocejante.

     É a história de três amigas, Tony, Roz e Charis, cinqüentonas que vivem infernizadas pela presença (em "flashback") de outra amiga, Zenia, a noiva ladra, inescrupulosa "femme fatale" que vive roubando os homens das outras.

     Vilã meio inverossímel - ao contrário das demais personagens, construídas com certa solidez -, a antogonista Zenia não se sustenta, sua maldade não convence, sua história não emociona. A narrativa desmorona, portanto, a partir desse defeito central. Zenia funcionaria como superego das outras, imagem do que elas gostariam de ser, mas não conseguiram, reflexo de seus questionamentos internos - eis a leitura mais profunda que se pode fazer desse romance nada surpreendente e muito óbvio no seu propósito.

     Segundo a própria Atwood, o propósito era construir, com Zenia, uma personagem mulher "fora-da-lei", porque "há poucas personagens mulheres fora-da-lei". As intervenções do discurso feminista são claras, panfletárias, disfarçadas de ironia e humor capengas. A personagem Tony, por exemplo, tem nome de homem (é apelido para Antônia) e é professora de história, especialista em guerras e obcecada por elas, assunto de homens: "Historiadores homens acham que ela está invadindo o território deles, e deveria deixar as lanças, flechas, catapultas, fuzis, aviões e bombas em paz".

     Outras alusões feministas parecem colocadas ali para provocar riso, mas soam apenas ingênuas: "Há só uma coisa que eu gostaria que você lembrasse. Sabe essa química que afeta as mulheres quando estão com TPM? Bem, os homens têm essa química o tempo todo". Ou então, a mensagem rabiscada na parede do banheiro: "Herstory Not History", trocadilho que indicaria o machismo explícito na palavra "História", porque em inglês a palavra pode ser desmembrada em duas outras, "his" (dele) e story (estória). A sugestão contida no trocadilho é a de que se altere o "his" para "her" (dela).

     As histórias individuais de cada personagem são o costumeiro amontoado de fatos cotidianos, almoços, jantares, trabalho, casamento e muita "reflexão feminina" sobre a infância, o amor, etc. Tudo isso narrado da forma mais achatada possível, sem maiores sobressaltos, a não ser talvez na descrição do interesse da personagem Tony pelas guerras.

     Mesmo aí, prevalecem as artificiais inserções de fundo histórico, sem pé nem cabeça, no meio do texto ficcional, efeito da pesquisa que a escritora - em tom cerimonioso na página de agradecimentos - se orgulha de ter realizado.



Estadista de mitra


Na melhor bibliografia de João Paulo II até agora, o jornalista Tad Szulc dá ênfase à atuação política do papa

Ivan Ângelo

     Como será visto na História esse contraditório papa João Paulo II, o único não-italiano nos últimos 456 anos? Um conservador ou um progressista? Bom ou mau pastor do imenso rebanho católico? Sobre um ponto não há dúvida: é um hábil articulador da política internacional. Não resolveu as questões pastorais mais angustiantes da Igreja Católica em nosso tempo - a perda de fiéis, a progressiva falta de sacerdotes, a forma de pôr em prática a opção da igreja pelos pobres -; tornou mais dramáticos os conflitos teológicos com os padres e os fiéis por suas posições inflexíveis sobre o sacerdócio da mulher, o planejamento familiar, o aborto, o sexo seguro, a doutrina social, especialmente a Teologia da Libertação, mas por outro lado, foi uma das figuras-chave na desarticulação do socialismo no Leste Europeu, nos anos 80, a partir da sua atuação na crise da Polônia. É uma voz poderosa contra o racismo, a intolerância, o consumismo e todas as formas autodestrutivas da cultura moderna. Isso fará dele um grande papa?

     O livro do jornalista polonês Tad Szulc João Paulo II - Bibliografia (tradução de Antonio Nogueira Machado, Jamari França e Silvia de Souza Costa; Francisco Alves; 472 páginas; 34 reais) toca em todos esses aspectos com profissionalismo e competência. O autor, um ex-correspondente internacional e redator do The New York Times, viajou com o papa, comeu com ele no Vaticano, entrevistou mais de uma centena de pessoas, levou dois anos para escrever esse catatau em uma máquina manual portátil, datilografando com dois dedos. O livro, bastante atual, acompanha a carreira (não propriamente a vida) do personagem até o fim de janeiro de 1995, ano em que foi publicado. É um livro de correspondente internacional, com o viés da política internacional. Szulc não é literariamente refinado como seus colegas Gay Talese ou Tom Wolfe, usa com freqüência aqueles ganchos e frases de efeito que adornam o estilo jornalístico, porém persegue seu objetivo como um míssil e atinge o alvo.

     Em meio à política, pode-se vislumbrar o homem Karol Wojtyla, teimoso, autoritário, absolutista de discurso democrático, alguém que acha que tem uma missão e não quer dividi-la, que é contra o "moderno" na moral, que prefere perder a transigir, mas é gentil, caloroso, fraterno, alegre, franco ... Szulc, entretanto, só faz o esboço, não pinta o retrato. Temos, então, de aceitar a sua opinião: "É difícil não gostar dele".

     Opus Dei - O livro começa descrevendo a personalidade de João Paulo II, faz um bom resumo da História da Polônia e sua opção pelo Ocidente e pela Igreja Católica Romana (em vez da Ortodoxa Grega, que dominava os vizinhos do Leste), fala da relação mística de Wojtyla com o sofrimento, descreve sus brilhante carreira intelectual e religiosa, volta à sua infância, aos seus tempos de goleiro no time do ginásio ""um mau goleiro", dirá mais tarde um amigo), localiza aí sua simpatia pelos judeus, conta que ele decidiu ser padre em meio ao sofrimento pela morte do pai, destaca a complacência de Pio XII com o nazismo, a ajuda à Opus Dei (a quem depois João Paulo II daria todo o apoio), demora-se demais nos meandros da política do bispo e cardeal Wojtyla, cresce jornalisticamente no capítulo sobre a eleição desse primeiro papa polonês, mostra como ele reorganizou a Igreja, discute suas posições conservadoras sobre a Teologia da Libertação e as comunidades eclesiais de base, CEBs, na América latina, descreve sua decisiva atuação na política do Leste Europeu, a derrocada do comunismo, e termina com sus luta atual contra o demônio pós-comunista. Agora o demônio, o perigo mortal para a humanidade, é o capitalismo selvagem e o "imperialismo contraceptivo" dos EUA e da ONU.

     Szulc, o escritor-míssil, não se desvia do seu alvo nem quando vê um assunto saboroso como a Cúria do Vaticano, que diz estar cheia de puxa-sacos e fofoqueiros com computadores, nos quais contabilizam trocas de favores, agrados, faltas e rumores. O sutil jornalista Gay Talese não perderia um prato desses.

     Entretanto, Szulc está sempre atento às ações políticas do papa. Nota que João Paulo II elevou a Opus Dei à prelatura pessoal enquanto expurgou a Companhia de Jesus por seu apoio à Teologia da Libertação; ajudou a Opus Dei a se estabelecer na Polônia, beatificou rapidamente seu criador, monsenhor Escrivã. Como um militar brasileiro dos anos 60, cassou o direito de ensinar dos padres Küng, Pohier e Curran, silenciou os teólogos Schillebeeckx (belga), Boff (brasileiro), Häring (alemão) e Gutiérrez (peruano), reduziu o espaço pastoral de dom Arns (brasileiro). Em contrapartida, apoiou decididamente o sindicato clandestino polonês, a Solidariedade. Fez dobradinha com o general dirigente polonês Jaruzelski contra Brejnev, abrindo o primeiro país socialista, que abriu o resto. O próprio Gorbachev reconhece: "Tudo o que aconteceu no Leste Europeu nesses últimos anos teria sido impossível sem a presença deste papa".

     Talvez seja assim também com relação ao que acontece com as religiões cristãs no nosso continente. Tad Szulc, com cautela, alerta para a penetração, na América Latina, dos evangélicos e pentecostais, que o próprio Vaticano chama de "seitas arrebatadoras". A participação comunitária e o autogoverno religioso que existia nas CEBs motivavam mais a população. Talvez seja. Acrescentando-se a isso o lado litúrgico dos evangélicos que satisfaz o desejo dos fiéis de serem atores no drama místico, não tanto espectadores, tem-se uma tese.

     O perfil desenhado por Szulc é o de um político profundamente religioso. Um homem que reza sete horas por dia, com os olhos firmemente fechados, devoto de Nossa Senhora de Fátima e do mártir polonês São Estanislau e que acredita no martírio e na dor pessoais para alcançar a graça.

Um gramático contra a gramática

Gilberto Scarton

     Língua e Liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino (L&PM, 1995, 112 páginas) do gramático Celso Pedro Luft traz um conjunto de idéias que subverte a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veemente, o ensino da gramática em sala de aula.

     Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática lingüística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas de português".

     O velho pesquisador apaixonado pelos problemas da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação lingüística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e lingüística; o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos lingüistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante.

     Essa fundamentação lingüística de que lança mão - traduzida de forma simples com fim de difundir assunto tão especializado para o público em geral - sustenta a tese do Mestre, e o leitor facilmente se convence de que aprender uma língua não é tão complicado como faz ver o ensino gramaticalista tradicional. É, antes de tudo, um fato natural, imanente ao ser humano; um processos espontâneo, automático, natural, inevitável, como crescer. Consciente desse poder intrínseco, dessa propensão inata pela linguagem, liberto de preconceitos e do artificialismo do ensino definitório, nomenclaturista e alienante, o aluno poderá ter a palavra, para desenvolver seu espírito crítico e para falar por si.

     Embora Língua e Liberdade do professor Celso Pedro Luft não seja tão original quanto pareça ser para o grande público (pois as mesmas concepções aparecem em muitos teóricos ao longo da história), tem o mérito de reunir, numa mesma obra, convincente fundamentação que lhe sustenta a tese e atenua o choque que os leitores - vítimas do ensino tradicional - e os professores de português - teóricos, gramatiqueiros, puristas - têm ao se depararem com uma obra de um autor de gramáticas que escreve contra a gramática na sala de aula.

Plataforma Lattes – mudanças à vista

Em breve, dois novos critérios de avaliação do pesquisador serão inclusos na Plataforma Lattes, disponível na internet desde 1999. O CNPq disponibilizará duas abas, uma na qual o pesquisador colocará informações sobre a inovação de seus projetos e pesquisa; e na outra, listará iniciativas de divulgação e educação científica.

Segundo o presidente do CNPq, Glaucius Oliva, as duas novas abas promoverão um maior contato da sociedade com a ciência e estimularão ainda mais a inovação.

"Se antes os cientistas faziam suas pesquisas em laboratórios fechados e pouco divulgavam seus trabalhos por considerar ser papel do jornalista ou professor levar a informação científica à sociedade, hoje percebemos que isso não é o suficiente. O país precisa de uma ciência cada vez mais antenada com a sociedade, e para isso, o cientista deve reconhecer o seu papel de engajamento no cotidiano das pessoas. Foi nesse contexto que percebemos a necessidade de criar novos critérios de avaliação, que deverão aumentar o conhecimento da sociedade sobre as atividades científicas e estimular o processo de inovação",afirma.

O novo item de avaliação do CNPq terá em conta o que os cientistas fazem para levar seu trabalho ao público e para promover a educação científica. O CNPq avaliará na aba divulgação, por exemplo, se os cientistas têm blogs pessoais sobre ciência, se divulgam à mídia os resultados dos seus trabalhos, se proferem palestras ou participam de feiras de ciência em escolas, por exemplo. Se antes se valorizava apenas a atividade acadêmica cientifica do profissional na hora de avaliar o seu desempenho, hoje o pesquisador precisa se conscientizar da importância de se fazer divulgação.

fonte:  Ascom do CNPq

Softwares gratuitos para radiofarmácia

segunda-feira, 26 de março de 2012
Quando li o artigo  Development of a Comprehensive Software Application for Calculations in Nuclear Medicine and Radiopharmacy (J. of Nuc. Med. Tech. 2010 Sep;38(3):153-62), fiquei curiosa para conhecer o software que eles desenvolveram. Fui à página indicada no artigo e encontrei não um, mas quatro programas diferentes. Os que achei mais interessante são:
  • Nucleolab - software para elaboração de cálculos de medicina nuclear e radiofarmácia, com o objetivo de facilitá-los, reduzindo erros e melhorando a eficiência e precisão. O banco de dados associado ao programa também fornece um meio de geração de relatórios e armazenamento os resultados dos cálculos. Entre outros, pode-se calcular a atividade de doses pediátricas, atividade / volume, decaimento radioativo e gerador de 99Mo/99mTc.
  • Radiolab - software desenvolvido para hospitais e institutos que preparam radiofármacos. Consiste em um aplicativo de banco de dados, muito fácil de usar para gravação, armazenamento e gerenciamento de praticamente toda a informação gerada pela atividade de radiofarmácias hospitalares, proporcionando assim uma rastreabilidade completa e imediata de todos os preparativos, controles farmacêutivos, dispensação, bem como uma grande ajuda na gestão de relatórios, pedidos, estoque e de resíduos radioativos.
Ainda não testei nenhum deles, mas fica a dica.

Material sobre PET traduzido para o português

Matéria retirada do blog Física Médica:

PET PROS em Português

Arquivos completos de Albert Einstein estão disponíveis na internet pela primeira vez

quinta-feira, 22 de março de 2012
Notícia retirada do site da revista Superinteressante:


Se você sempre quis saber como trabalhava um dos maiores cientistas de todos os tempos, agora ficou fácil: os arquivos completos de Albert Einstein estão disponíveis online pela primeira vez na Universidade Hebraica de Jerusalém. O projeto “The Collected Papers of Albert Einstein” reuniu mais de 80 mil arquivos, que estão divididos em cinco categorias: vida pessoal, ciência, trabalho como co-fundador da Universidade Hebraica, vida pública e relacionamento com o povo judeu.
A galeria online tem recursos interativos e os usuários podem navegar pelos diferentes itens das categorias. Na seção de vida pessoal, por exemplo, é possível visualizar o diploma de Einstein do Ensino Médio, um diário de viagem do cientista pelos Estados Unidos e um cartão postal que ele escreveu para sua mãe. A Universidade Hebraica e o Instituto de Tecnologia da Califórnia (CalTech) começaram a digitalizar os arquivos de Einstein há alguns anos.
De acordo com Dalia Mendelsson, gerente do “The Collected Papers of Albert Einstein”, a interatividade é o coração do projeto. “Com isso, o conteúdo dos arquivos pode ser explorado através de uma interface amigável, feita especialmente para este propósito”, disse. A melhor parte é que você pode usar o zoom para ver detalhes dos documentos históricos e ver bem de perto os traços da personalidade e da carreira de Einstein. Isso se você souber falar alemão, é claro.
O site com os arquivos foi lançado no dia 14 de março deste ano, data em que Einstein comemoraria 133 anos se estivesse vivo.

Por que o medo da radioatividade?

quarta-feira, 21 de março de 2012
Interessante vídeo do professor Antonio Ruiz de Elvira explicando o que é a radioatividade e de que mandeira pode afetar os seres vivos.



Manifesto em Defesa da Ciência, da Tecnologia da Inovação

Notícia publicada hoje no Jornal da Ciência da SPBC

Entidades representativas da comunidade científica e da indústria brasileira publicaram um manifesto, no jornal Folha de São Paulo de hoje (20), ressaltando a importância de se reverter o corte no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O documento é assinado por dez entidades, entre elas a SBPC, a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei).

No manifesto, as entidades ressaltam que os repetidos cortes e contingenciamentos de recursos destinados à pesquisa científica e à inovação são incompatíveis com os recentes compromissos do governo para manter o status conquistado pelo Brasil, hoje dono da sexta maior economia do mundo e reconhecido como uma nação de liderança global.

Veja abaixo a íntegra do documento:

Em defesa da Ciência, da Tecnologia e da Inovação

As entidades representativas da indústria brasileira e da comunidade científica do País, signatárias desta nota, vêm a público ressaltar a necessidade urgente de revisão da decisão que reduziu recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Tal medida terá consequências dramáticas para o desenvolvimento do Brasil caso não seja revertida.

O corte reduziu em 23% o orçamento do MCTI para o ano, o que corresponde a R$ 1,5 bilhão. Foi o segundo ano consecutivo em que o Ministério sofreu cortes. Adicionalmente, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) vem sofrendo contingenciamentos regulares em suas verbas. Entre 2006 e 2011, mais de um quarto de seus recursos foram contingenciados, o que resultou em R$ 3,2 bilhões retidos e não disponíveis para as atividades de pesquisa e desenvolvimento.

Os repetidos cortes e contingenciamentos de recursos destinados à pesquisa científica e à inovação são incompatíveis com os recentes compromissos do governo para manter o status conquistado pelo Brasil, hoje dono da sexta maior economia do mundo e reconhecido como uma nação de liderança global. A pesquisa científica e tecnológica é base para inovação e para a formação de recursos humanos qualificados, com impactos significativos no crescimento e na geração de riquezas.

Em países vencedores no campo da inovação, o investimento é fruto de aportes relevantes tanto do setor privado quanto do público. O Brasil necessita de uma alta taxa de inovação para melhorar seus índices sociais e intensificar seu desenvolvimento científico e tecnológico. O investimento nacional em pesquisa e desenvolvimento, em 2010, correspondeu a apenas 1,20%do PIB, sendo 0,63% provenientes do setor público.

É consenso na comunidade industrial, científica e tecnológica brasileira que o setor privado precisa ter papel ativo na busca pela inovação. Produtos inovadores geram impactos importantes em cadeias produtivas inteiras, agregam valor aos produtos brasileiros, racionalizam os processos de produção, produzem riqueza, distribuem renda, geram empregos e transformam o País. Essa atuação deve passar não só pelo investimento direto, mas também pela mobilização ativa em torno da causa da inovação.

Os desafios enfrentados pelo governo são conhecidos e a necessidade de uma gestão responsável das finanças do País deve ser reconhecida e elogiada. Mas é preciso cuidar também do futuro; o desenvolvimento científico e tecnológico do País não pode ser comprometido.

O Brasil e seu governo perseguem hoje uma aspiração inequívoca: a de inserir o País no cenário internacional em igualdade com as nações desenvolvidas. O investimento em inovação é essencial para que essa aspiração se torne realidade.

Pelas razões expostas, respeitosamente apelamos à Presidente Dilma Rousseff para que:

  • Restabeleça a proposta original de R$ 6,7 bilhões para o orçamento do MCTI de 2012.
  • Não permita o contingenciamento de recursos do FNDCT - Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Assinam o manifesto: CNI, Fiesp, Firjan, Fiep, Fieb, Fiemg, SBPC, ABC, Anpei e Anprotec.

XXVI Congresso Brasileiro de Medicina Nuclear

segunda-feira, 19 de março de 2012

 Já está no ar o site do XXVI Congresso  Brasileiro de Medicina Nuclear que acontecerá entre os dias 11 e 14 de outubro deste ano em Salvador - BA. O prazo para o envio de trabalhos é até 10 de julho.

Clique na imagem para maiores informações.

Ética em pesquisa e os perigos da obediência - uma experiência de Stanley Milgram

domingo, 18 de março de 2012

Recentemente, tive contato com a obra Obedience to authority de Stanley Milgram e fiquei chocada com o que somos capazes de fazer em nome da ciência e daquilo que nos mandam. Quando digo somos, digo consciente que nenhum de nós (seja lá em qual nível acadêmico estejamos) está livre de sermos engendrados em um contexto em que nos sintamos obrigados a fazer algo, mesmo que este algo seja deliberadamente antiético (por vezes até perigoso). Sendo assim, vale a pena refletir sobre a experiência de Milgram para que possamos estar atentos quando estas "oportunidades" nos surgirem.

OS PERIGOS DA OBEDIÊNCIA
Stanley Milgram

A obediência é um elemento tão básico, na estrutura da vida social como qualquer outro. Parte do sistema de autoridade é uma necessidade de toda vida comunitária e somente a pessoa que habita em isolamento não é forçada a responder, com desafio ou submissão, às ordens de outros. Para muitos, a obediência é uma tendência comportamental profundamente arraigada, chegando mesmo a ser um forte impulso que sobrepuja o treinamento em ética, solidariedade e conduta moral.
O dilema inerente à submissão à autoridade é tão antigo quanto a história de Abraão a quem Deus ordenou sacrificar se filho como prova de fé. A questão de saber se deve alguém obedecer ou não às ordens quando elas conflitam com a consciência foi discutida por Platão, dramatizada na Antígona de Sófocles e submetida à análise filosófica, em quase todas as épocas históricas. Os filósofos conservadores argumentam que a própria estrutura de sociedade é ameaçada pela desobediência, ao passo que os humanistas acentuam a primazia da consciência individual.
Os aspectos legais e filosóficos da obediência têm enormes conseqüências, mas esclarecem muito pouco sobre a maneira pela qual a maioria das pessoas se comportam em situações concretas. Realizei uma experiência simples na Universidade de Yale para testar até que ponto um cidadão comum poderia infligir dor a outra pessoa simplesmente porque essa ordem lhe foi dada por uma cientista experimental. A autoridade rígida foi oposta aos imperativos morais mais fortes dos testados contrárias a ferir os outros. Com os ouvidos retinindo com os gritos das vítimas, a autoridade vencia na maioria das vezes. A extrema disposição de adultos obedecerem totalmente ao comando de uma autoridade constitui o principal achado desse estudo: fato este que necessita, com maior urgência, de uma explicação.
Na experiência básica, planejada, duas pessoas chegam a um laboratório psicológico para participar de um estudo sobre memória e aprendizado. Um é chamado de “professor” e outro de “aluno”. O experimentador explica que o estudo diz respeito aos efeitos da punição no aprendizado. O aluno é conduzido a uma sala, senta-se-o numa espécie de miniatura de cadeira elétrica; seus braços são imobilizados para impedir movimentos excessivos e um eletrodo é preso ao seu pulso. Ele é informado de que ser-lhe-ão lidas listas de pares de vocabulários simples e que, então, será testada a sua capacidade de lembrar-se da segunda palavra de um par quando ouvir novamente a primeira palavra.  Sempre que cometer um erro, receberá choques elétricos de intensidade crescente. Entretanto, o verdadeiro objeto dessa experiência é o professor. Depois de presenciar o aluno sendo amarrado, ele senta-se diante de um impressionante “gerador de choques”. O painel de instrumentos consiste em trinta interruptores de alavanca dispostos em linha horizontal. Cada interruptor tem claramente marcada a designação da voltagem,que vai de 15 a 450 volts, com descrições verbais que abrangem desde Choque Leve a Choque Moderado, Choque Forte, Choque Muito Forte, Choque Intenso, Choque de Extrema Intensidade e, finalmente, Perigo: Choque Grave.
Dá-se a cada paciente um choque de amostra de 45 volts, antes dele agir como professor e o solavanco fortalece a sua crença na autenticidade do aparelho. O professor é um paciente realmente ingênuo que veio ao laboratório para essa experiência, em resposta a um anúncio colocado num jornal da localidade solicitando voluntários para um estudo científico da memória. O aluno, ou vítima é, na realidade, um ator que não recebe nenhum choque. O objetivo da experiência é ver até que ponto uma pessoa prosseguirá numa situação concreta e mensurável em que lhe é ordenado infligir uma dor crescente numa vítima que protesta
O mais impressionante desta experiência é que 2/3 do grupo estudado enquadraram-se no grupo de "obedientes", ou seja, impingiram choques elétricos só porque estavam sendo ordenados a isso. Em 2009 a BBC repetiu a mesma experiência com 12 indivíduos e somente 3 recusaram-se de prosseguir com a experiência. O resultado pode ser visto no vídeo abaixo.



Biblioteca Digital Memória da CNEN

quarta-feira, 14 de março de 2012
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) desenvolveu a Biblioteca Digital Memória da CNEN reunindo a literatura produzida pelo seu corpo funcional, tanto na área nuclear como não nuclear, com foco na preservação do conhecimento institucional. A Biblioteca abrange todos os tipos de documentos produzidos desde a década de 50 como artigos de periódicos e conferências, teses e dissertações, relatórios (publicados e de circulação interna), e normas técnicas. O mecanismo de busca de conteúdo do site permite ao internauta encontrar textos de autores ou assuntos específicos.

Numa área destinada a informações organizacionais da CNEN podem ser encontrados o perfil da instituição e de suas principais unidades. Os presidentes, tanto o atual, como os que o antecederam, são apresentados com foto e breve currículo. Relatórios anuais com informações detalhadas das atividades desenvolvidas estão publicados, abrangendo desde a criação da CNEN, em 1956, até o ano de 2010. Também são registradas as subordinações institucionais e as composições da sua Comissão Deliberativa ao longo dos anos.

O site inclui ainda a legislação do setor nuclear. Leis, decretos, portarias, outros atos legais e demais documentos, podem ser pesquisados em sistema de buscas próprio. A legislação pode ser pesquisada por ano de publicação, número do ato legal, assunto, entre outros critérios.

Uma cronologia dos principais acontecimentos da energia nuclear, no Brasil e no mundo, permite situar a instituição, seu desenvolvimento e suas atividades no contexto histórico.

O site começou a ser produzido há alguns anos e vem sendo continuamente ampliado e aprimorado. Inicialmente, foi disponibilizado apenas internamente para permitir ajustes necessários e, agora, é liberado para o acesso público no endereço http://memoria.cnen.gov.br

A Biblioteca, além de contribuir para a preservação do conhecimento institucional, tem também importância para a história da C&T do país, na medida em que documenta parte relevante do desenvolvimento da energia nuclear no Brasil.

E então, celulares causam ou não câncer?

domingo, 11 de março de 2012
Apesar de ainda não existir nenhuma contraindicação ao uso dos celulares, devemos agir com cautela até pelo pouco tempo de uso para traçarmos um padrão. Segue um resumo de uma recomendação da Organização Mundial da Saúde sobre o assunto publicada em 2010.

Principais fatos

A utilização do celular é onipresente, com cerca de 4,6 bilhões de assinaturas em todo o mundo.
Até o momento, nenhum efeito adverso para a saúde foi estabelecido para uso do telefone celular.
Estudos estão em andamento para avaliar os potenciais efeitos a longo prazo do uso do telefone móvel.
Existe um risco aumentado de acidentes de trânsito quando os motoristas usam telefones móveis (ou de mão ou "hands-free") durante a condução.

Os telefones móveis ou celulares são agora uma parte integral das telecomunicações modernas. Em muitos países, mais de metade da população usam telefones móveis, e o mercado está crescendo rapidamente. No final de 2009, havia cerca de 4,6 bilhões de assinaturas de todo o mundo. Em algumas partes do mundo, os telefones móveis são mais confiáveis ​​ou os únicos telefones disponíveis.

Dado o grande número de usuários de telefones móveis, é importante investigar, compreender e monitorar qualquer potencial impacto na saúde pública.

Os telefones móveis se comunicam transmitindo ondas de rádio através de uma rede de antenas fixas chamadas estações rádio-base. As ondas de radiofrequência são campos eletromagnéticos e, ao contrário da radiação ionizante, como raios-X ou raios gama, não pode quebrar ligações químicas nem causar ionização no corpo humano.

Os níveis de exposição

Os telefones móveis são transmissores de radiofrequência de baixa potência, operando a frequências entre 450 e 2700 MHz com potência de pico na gama de 0,1 a 2 watts. O aparelho só transmite energia quando está ligado. O poder (e, portanto, a exposição de radiofreqüência para um utilizador) diminui rapidamente com o aumento da distância do aparelho. Uma pessoa usando um celular  a 30-40 centímetros longe de seu corpo - por exemplo, quando mensagens de texto, acesso à Internet, ou usando um "hands free" dispositivo -, portanto, têm uma exposição muito menor a campos de radiofreqüência que alguém segurar o aparelho contra sua cabeça.

Existem alguns efeitos a saúde?

Um grande número de estudos foram realizados ao longo das duas últimas décadas para avaliar se os telefones móveis representam um risco potencial para a saúde. Até esta data, não houve efeitos adversos à saúde foram estabelecidas para uso do telefone celular.

Efeitos a curto prazo

Aquecimento dos tecidos é o principal mecanismo de interação entre a energia de radiofreqüência e do corpo humano. Na as frequências utilizadas pelos telefones móveis, a maioria da energia é absorvida pela pele e outros tecidos superficiais, resultando em aumento de temperatura negligenciável no cérebro ou quaisquer outros órgãos do corpo.
Um número de estudos investigaram os efeitos de campos de radiofreqüência sobre a atividade elétrica do cérebro, função cognitiva, do sono, freqüência cardíaca e pressão arterial em voluntários. Até o momento, a pesquisa não sugere qualquer evidência consistente de efeitos adversos para a saúde da exposição a campos de radiofreqüência em níveis abaixo daqueles que causam aquecimento dos tecidos. Além disso, a investigação não tem sido capaz de fornecer suporte para uma relação causal entre a exposição a campos electromagnéticos e auto-relato de sintomas, ou "hipersensibilidade eletromagnética".

Em contraste, a pesquisa mostrou claramente um aumento do risco de acidentes de trânsito quando os motoristas usam telefones móveis (ou de mão ou "hands-free") durante a condução. Em vários países, os motoristas estão proibidos ou fortemente desencorajados a utilização de celulares durante a condução.

Efeitos a longo prazo

A investigação epidemiológica que examina potenciais riscos a longo prazo da exposição a radiofreqüência, na sua maioria, foca em uma associação entre tumores cerebrais e uso de telefone celular. No entanto, porque muitos cânceres não são detectáveis ​​até muitos anos após as interações que levaram ao tumor, e uma vez que telefones celulares não foram amplamente utilizados até os anos 1990, estudos epidemiológicos atualmente só podem avaliar os cânceres que se tornam evidentes em períodos mais curtos. No entanto, os resultados de estudos em animais não mostram consistentemente maior risco de câncer a longo prazo devida a exposição a campos de radiofreqüência.

Até o momento, resultados de estudos epidemiológicos não fornecem evidências consistentes de uma relação causal entre a exposição de radiofreqüência e qualquer efeito adverso à saúde. No entanto, esses estudos têm limitações demais para excluir completamente uma associação.

Um estudo de caso-controle retrospectivo em adultos, INTERPHONE, coordenado pela Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC), foi desenhado para determinar se existem vínculos entre o uso de telefones celulares e câncer de cabeça e pescoço em adultos. A análise internacional conjunta dos dados recolhidos a partir de 13 países participantes não encontraram um risco aumentado de glioma ou meningioma com uso do telefone celular por mais de 10 anos.

Apesar de um aumento do risco de tumores cerebrais não ser estabelecida a partir de dados INTERPHONE, o uso crescente dos celulares e da falta de dados para uso do telefone celular durante períodos de tempo mais longos que 15 anos garante mais pesquisas de uso do telefone celular e o risco de câncer cerebral. Em particular, com a recente popularidade de uso do telefone celular entre os jovens, e consequentemente uma vida potencialmente mais longa da exposição, a OMS promoveu a investigação suplementar sobre este grupo. Vários estudos que investigam os efeitos potenciais à saúde em crianças e adolescentes estão em andamento.

Limites de exposição

Limites de exposição a radiofreqüência para usuários de telefones móveis são dadas em termos de Taxa de Absorção Específica (SAR) - a taxa de absorção de energia de radiofreqüência por unidade de massa do corpo. Atualmente, dois organismos internacionais1,2 possuem diretrizes de exposição desenvolvidos para os trabalhadores e para o público em geral, exceto os pacientes submetidos a um diagnóstico ou tratamento médico. Essas diretrizes são baseadas em uma avaliação detalhada da evidência científica disponível.

1 International Commission on Non-Ionizing Radiation Protection – ICNIRP. Statement on the "Guidelines for limiting exposure to time-varying electric, magnetic and electromagetic fields (up to 300 GHz)", 2009.
2 Institute of Electrical and Electronics Engineers IEEE Std C95.1 – 2005. IEEE standard for safety levels with respect to human exposure to radio frequency electromagnetic fields, 3 kHz to 300 GHz.

Links relacionados


Site para baixar arquivos de Física Médica

terça-feira, 6 de março de 2012

O MedPhys é como se fosse um 4shared para arquivos relacionados à Física Médica. Confesso que para Medicina Nuclear há pouca coisa, mas há muitas apresentações sobre radioproteção e assuntos correlatos. Vale dar uma conferida. Para conhecer, clique na imagem.

Concurso para INB

Retirado do blog Física Médica:



As inscrições para a INB/CNEN estão abertas e vão até 18 de março de 2012. As vagas são para carreiras/cargos de nível médio/técnico e superior distribuídas nas localidades do Rio de Janeiro/RJ, Resende/RJ, Buena/RJ, Caetité/BA, São Paulo/SP, Fortaleza/CE, Caldas/MG e Brasília/DF. Os salários variam de R$ 1.261,00 a R$ 4.119,00.
Para os profissionais com nível superior, as oportunidades são para as atividades de administrador, analista de sistemas/suporte, biólogo, tradutor/ inglês, tradutor/alemão, engenheiro de segurança do trabalho, engenheiro civil, engenheiro da computação, médico do trabalho, engenheiro eletrônico, engenheiro metalúrgico, engenheiro metalúrgico (materiais e soldagem), engenheiro de produção,físico, geógrafo, engenheiro mecânico, engenheiro químico, químico / químico industrial.
As vagas de nível médio / técnico são para as atividades de assistente de administração, técnico em enfermagem do trabalho, técnico em eletromecânica, técnico em eletrônica, técnico em eletrotécnica/eletricidade, técnico em instrumentação, técnico em radioproteção, técnico em arquivo, secretaria de diretoria, técnico em edificações, técnico em segurança do trabalho, técnico em química, dentre outros.
O edital com todas as informações, exigências e requisitos poderá ser acessado através do endereço eletrônico www.legitimusassessoria.com.br. As taxas de inscrição são de R$ 50,00 para nível médio/técnico e de R$ 65,00 para nível superior. A prova está marcada para o dia 22 de abril de 2012.

Ciências às seis e meia

sexta-feira, 2 de março de 2012

Simpósio de imersão em cardiologia nuclear


Clique na imagem para mais informações.


Feito com ♥ por Lariz Santana