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Infovídeo sobre testes e bombas nucleares

domingo, 17 de novembro de 2013
O artista japonês Isao Hashimoto criou um belo e inegavelmente assustador mapa mostrando as 2053 explosões nucleares que aconteceram entre 1945 e 1998, começando com o Projeto Manhattan perto de Los Alamos e concluindo com testes nucleares do Paquistão em maio 1998. Isso deixa de fora os dois supostos testes nucleares da Coréia do Norte nesta última década (em outubro de 2006 e maio de 2009).

Cada nação recebe um pontinho e um ponto piscando no mapa a cada detonação nuclear, com uma contagem mantida nas barras superior e inferior da tela. Hashimoto, que iniciou o projeto em 2003, diz que ele criou com o objetivo de mostrar "o medo e a loucura das armas nucleares". 

É uma imagem convincente para a história da maior força destrutiva da humanidade, especialmente se lembrarmos que apenas duas explosões nucleares foram detonadas ofensivamente, ambas em 1945. Vale refletir, porque, desde então, mais de 2.000 outros testes aconteceram e bilhões de dólares foram gastos nestes projetos.


Reportagem sobre os cinco anos do acidente da TAM: a estratégia usada para localizar material radioativo

terça-feira, 17 de julho de 2012
Do jornal Zero Hora de 16/07/2012

A BUSCA DE MATERIAL RADIOATIVO NO PRÉDIO ATINGIDO
No segundo dia da série 400 minutos de um pesadelo (reportagem sobre os cinco anos do acidente da TAM), Zero Hora relembra o trabalho dos bombeiros para salvar vítimas do prédio atingido e a estratégia usada para localizar material radioativo.
Em casa, no bairro paulistano do Morumbi, o gerente de Radioproteção, equivalente ao setor de segurança do trabalho, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), Demerval Leônidas Rodrigues (atual Secretário-Geral da Sociedade Brasileira de Proteção Radiológica), soube do acidente com o Airbus da TAM pela TV e se preocupou. Mesmo em férias, telefonou para a empresa que transporta por terra os produtos vendidos pelo Ipen e perguntou se o lote do dia, que a companhia aérea leva para outros Estados e cidades distantes, tinha embarcado por completo. A resposta: não.
O relógio marcava 19h daquele 17 de julho de 2007. O prédio de cargas da TAM já ardia em chamas. Bombeiros do posto de Congonhas tinham sido os primeiros a chegar. O alerta partira da soldado Carla dos Santos, que estava em um plano elevado na base do aeroporto e viu as chamas ao final da pista.
– Vi o avião passar. Nunca imaginei um acidente. Pensei que fosse uma bomba – recorda.
Com acesso por dentro de Congonhas, o sargento José Airton Lacerda Lima e outros 10 bombeiros do posto em Congonhas foram os primeiros a chegar ao prédio de cargas da TAM, ao lado de um posto de combustíveis. Estavam em uma viatura com mangueira com pó químico, água e espuma.
– Quando vi aquilo, pensei: é humanamente impossível ter sobreviventes. Carros ali perto, que não foram atingidos pelas chamas, pareciam de plástico, deformados pelo calor – lembra o sargento.
O Airbus invadiu 15 metros dentro do depósito de quatro pavimentos. Parou no segundo piso, e o pavimento de cima desabou sobre o avião. Há 500 metros dali, bombeiros do quartel no bairro Campo Belo, já estavam a caminho. E preparados. Seis meses antes, como se estivessem prevendo, tinham feito um exercício simulando a seguinte situação: um avião com 150 pessoas a bordo despencava sobre um prédio ao lado de um posto de combustíveis e incendiava. O cenário e uma aeronave foram construídos com apoio de uma escola de samba.
– Era um treinamento, pois poderia acontecer em São Paulo. E aconteceu igualzinho – lembra o tenente Marcos Palumbo.
Logo, chegaram 97 viaturas com 255 bombeiros (mais do que todo o efetivo de Porto Alegre) da capital paulista e cidades vizinhas. O combate ao fogo era inglório. A temperatura beirava mil graus. A água jorrava das mangueiras mas evaporava antes de atingir as labaredas – ao todo, foram gastos 800 metros cúbicos de água, equivalente ao consumo de 1,8 mil casas em um só dia. Em meio a explosões, os bombeiros tentavam salvar vítimas e arriscavam as próprias vidas.
Sobre as cabeças, desabando paredes, incandescentes pelos quase 7 mil litros de querosene da aeronave em chamas. Sob os pés, 60 mil litros de gasolina e óleo diesel, armazenados em tanques subterrâneos do posto de combustíveis contíguo ao depósito. Se uma fagulha atingisse os tanques, sabe-se lá a proporção que a tragédia poderia alcançar.
Até então, 27 imóveis nas imediações já tinham sido evacuados, e era preciso urgentemente esvaziar os tanques e colocar água dentro – o que foi feito depois.
Atraídos ao prédio por um estrondo, o soldado Gilson Tomadoce e o cabo Nilton Aparecido da Silva, que faziam policiamento no quarteirão, entraram por uma escada de emergência nos fundos. Só com a farda.
– A gente não tinha noção do que estava acontecendo. A fumaça era intensa, não se enxergava o avião, não tinha equipamento de proteção. Puxamos três pessoas para a escadaria, mas elas não resistiram – lamenta Tomadoce.
Por causa disso, a situação já era delicada. E ficaria ainda mais, quando um funcionário da TAM, avisado pelo Ipen, alertou aos bombeiros da presença de material radioativo no depósito.
– Aí, montamos uma operação sigilosa para localizar o material. Não falamos nada para a imprensa para não causar ainda mais pânico – recorda o coronel da reserva da PM paulista, Manoel Antônio da Silva Araújo, ex-comandante do Corpo de Bombeiros.
Uma equipe exclusiva foi organizada com roupas especiais, máscaras e luvas, para procurar o material. E precisava ser encontrado logo. Do contrário, toda a área do depósito, 10,3 mil metros quadrados, precisaria ser isolada e proibida qualquer aproximação. Os bombeiros teriam de sair. E como ficaria a busca por sobreviventes?
Preocupado com o que via na TV, às 23h30min, o gerente do Ipen foi até o local do acidente, levando duas caixas de papelão, uma azul e outra amarela, iguais a das embalagens que possivelmente deveriam ser localizadas. Enquanto corpos eram resgatados dos escombros do avião, a operação secreta varava a madrugada.
A DESCOBERTA AO RAIAR DO SOL
Ao amanhecer, os bombeiros acharam o que procuravam em silêncio. Eram cinco baldes, com capacidade equivalente a 20 litros, e duas caixas, pouco maiores do que caixas de sapato. O material estava no subsolo. Sem ter certeza do que se tratava, técnicos do Ipen com dosímetro (equipamento que mede níveis de radiação) entraram nas ruínas do depósito e encontraram os produtos Iodo 131 e Iodo 125 (em estado líquido, dentro de vidros, cuidadosamente revestidos em uma espécie de cilindros de concreto para evitar quebrar o frasco). As embalagens estavam intactas, protegidas, aleatoriamente, por um pedaço de laje que caiu do teto.
Fim do suspense. O material seria enviado para clínicas e hospitais de Barretos e Araraquara (interior paulista), Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Florianópolis e Blumenau, em Santa Catarina. Eram pequenas doses de radiofármacos, para medicina nuclear, ingeridos por pacientes em exames de imagem ou para tratamento de câncer.
– Mesmo se tudo fosse esmagado e se dispersasse não causaria danos às pessoas – afirma o gerente do Ipen.
Embora a contaminação nuclear não tenha se confirmado, o episódio elevou ao grau máximo o estresse dos bombeiros.
– Foi uma preocupação adicional no meio daquela tragédia – lembra o ex-comandante do Corpo de Bombeiros paulista.
O gigantismo do desastre não permitiu melhor sorte no resgate de vítimas. Foram 15 vidas salvas e 199 perdidas. Araújo recorda com tristeza cenas como a de 15 ambulâncias estacionadas em fila, paradas no local da tragédia, vazias, a espera de feridos.
– Eles não tinham a quem socorrer – lamenta.
O esforço da corporação foi reconhecido pelo país. Bombeiros foram homenageados na cerimônia de encerramento dos Jogos Pan-americanos do Rio, ao final daquele mês. E Araújo foi agraciado pela Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo da TAM JJ3054 (Afavitam) quando do primeiro aniversário da tragédia.
As indenizações viraram um tabu
Nenhum outro assunto constrange mais os familiares das vítimas do voo JJ3054 do que as indenizações. É doloroso para a imensa maioria e, por causa disso, mantido sob sigilo. A única informação tornada pública foi o saldo de negociações coletivas, lideradas pela Câmara de Indenização do Voo 3054, instalada em São Paulo com a participação de órgãos paulistas e federais de defesa do consumidor e encerrada em 2009.
De 199 famílias vitimadas pela tragédia com o Airbus da TAM, 59 procuraram a câmara e 55 assinaram acordos. Um grupo bem maior teria negociado diretamente com a TAM, mas a companhia evita se manifestar sobre o assunto. Logo após o acidente, a empresa chegou a anunciar que dispunha de R$ 2,5 bilhões para pagamento aos parentes das vítimas e a cobertura da parte material do choque.
Um outro grupo de famílias entrou com ações judiciais no Brasil, outros nos Estados Unidos – onde fabricam peças para a Airbus –, e uma terceira parcela jamais aceitou receber dinheiro.
Assim como as quantias, os parâmetros das indenizações são sigilosos. Visam a compensar danos morais por abalos emocionais e danos materiais – por conta da perda dos rendimentos da pessoa que mantinha a família. Em casos de morte de crianças e adolescentes, pais e responsáveis receberam valores equivalentes ao custos que teriam com o sustento dos seus dependentes até a independência financeira deles.
Não bastasse o trauma da perda de vidas, os familiares enfrentaram um drama adicional nos dias seguintes ao acidente: o oportunismo de aproveitadores do sofrimento alheio.
O fato de filhos, irmãos e pais terem viajado às pressas para São Paulo, alguns só com a roupa do corpo, e alojados em hotéis por conta da TAM, para ajudar na identificação e liberação dos corpos, abriu um flanco para golpistas entrarem em ação.
Sem nenhuma ligação com a tragédia e sem qualquer escrúpulo, surgiram pessoas se fazendo passar por familiares das vítimas. Se hospedaram nos mesmos hotéis, compraram roupas caras em shoppings, comeram em restaurantes finos e passearam de táxi. Tudo por conta da tragédia.
– Apareceram, também, falsos advogados e até falsos jornalistas para falar com a gente – recorda o jornalista Roberto Corrêa Gomes, assessor de imprensa da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo TAM JJ 3054.
Uma mulher desconhecida se fez passar como suposta prima da estudante Thaís Volpi Scott, uma das passageiras.
– Solicitei à TAM o quanto gastaram em nome da minha filha, mas nunca me informaram – diz o professor Dario Scott, presidente da Afavitam.
No voo 3054 da TAM viajavam 10 pessoas ligadas ao Sindicato dos Servidores Públicos Aposentados e Pensionistas do Estado do Rio Grande do Sul (Sinapers). Chamado de tricoteiras, por protestarem tecendo mantas em locais públicos, o grupo lutava pelo pagamento de precatórios – dívidas do Estado com servidores públicos e cidadãos – e o acidente despertou a ganância de espertalhões, especialistas no assunto.
– Diziam que ninguém mais receberia os valores dos precatórios porque as tricoteiras tinham morrido. Acabaram convencendo pessoas a vender os direitos de receber os valores com 90% de deságio. Houve gente lesada por receber cheques sem fundos – lamenta Kátia Terraciano Moraes, diretora financeira do Sinapers.

Ética em pesquisa e os perigos da obediência - uma experiência de Stanley Milgram

domingo, 18 de março de 2012

Recentemente, tive contato com a obra Obedience to authority de Stanley Milgram e fiquei chocada com o que somos capazes de fazer em nome da ciência e daquilo que nos mandam. Quando digo somos, digo consciente que nenhum de nós (seja lá em qual nível acadêmico estejamos) está livre de sermos engendrados em um contexto em que nos sintamos obrigados a fazer algo, mesmo que este algo seja deliberadamente antiético (por vezes até perigoso). Sendo assim, vale a pena refletir sobre a experiência de Milgram para que possamos estar atentos quando estas "oportunidades" nos surgirem.

OS PERIGOS DA OBEDIÊNCIA
Stanley Milgram

A obediência é um elemento tão básico, na estrutura da vida social como qualquer outro. Parte do sistema de autoridade é uma necessidade de toda vida comunitária e somente a pessoa que habita em isolamento não é forçada a responder, com desafio ou submissão, às ordens de outros. Para muitos, a obediência é uma tendência comportamental profundamente arraigada, chegando mesmo a ser um forte impulso que sobrepuja o treinamento em ética, solidariedade e conduta moral.
O dilema inerente à submissão à autoridade é tão antigo quanto a história de Abraão a quem Deus ordenou sacrificar se filho como prova de fé. A questão de saber se deve alguém obedecer ou não às ordens quando elas conflitam com a consciência foi discutida por Platão, dramatizada na Antígona de Sófocles e submetida à análise filosófica, em quase todas as épocas históricas. Os filósofos conservadores argumentam que a própria estrutura de sociedade é ameaçada pela desobediência, ao passo que os humanistas acentuam a primazia da consciência individual.
Os aspectos legais e filosóficos da obediência têm enormes conseqüências, mas esclarecem muito pouco sobre a maneira pela qual a maioria das pessoas se comportam em situações concretas. Realizei uma experiência simples na Universidade de Yale para testar até que ponto um cidadão comum poderia infligir dor a outra pessoa simplesmente porque essa ordem lhe foi dada por uma cientista experimental. A autoridade rígida foi oposta aos imperativos morais mais fortes dos testados contrárias a ferir os outros. Com os ouvidos retinindo com os gritos das vítimas, a autoridade vencia na maioria das vezes. A extrema disposição de adultos obedecerem totalmente ao comando de uma autoridade constitui o principal achado desse estudo: fato este que necessita, com maior urgência, de uma explicação.
Na experiência básica, planejada, duas pessoas chegam a um laboratório psicológico para participar de um estudo sobre memória e aprendizado. Um é chamado de “professor” e outro de “aluno”. O experimentador explica que o estudo diz respeito aos efeitos da punição no aprendizado. O aluno é conduzido a uma sala, senta-se-o numa espécie de miniatura de cadeira elétrica; seus braços são imobilizados para impedir movimentos excessivos e um eletrodo é preso ao seu pulso. Ele é informado de que ser-lhe-ão lidas listas de pares de vocabulários simples e que, então, será testada a sua capacidade de lembrar-se da segunda palavra de um par quando ouvir novamente a primeira palavra.  Sempre que cometer um erro, receberá choques elétricos de intensidade crescente. Entretanto, o verdadeiro objeto dessa experiência é o professor. Depois de presenciar o aluno sendo amarrado, ele senta-se diante de um impressionante “gerador de choques”. O painel de instrumentos consiste em trinta interruptores de alavanca dispostos em linha horizontal. Cada interruptor tem claramente marcada a designação da voltagem,que vai de 15 a 450 volts, com descrições verbais que abrangem desde Choque Leve a Choque Moderado, Choque Forte, Choque Muito Forte, Choque Intenso, Choque de Extrema Intensidade e, finalmente, Perigo: Choque Grave.
Dá-se a cada paciente um choque de amostra de 45 volts, antes dele agir como professor e o solavanco fortalece a sua crença na autenticidade do aparelho. O professor é um paciente realmente ingênuo que veio ao laboratório para essa experiência, em resposta a um anúncio colocado num jornal da localidade solicitando voluntários para um estudo científico da memória. O aluno, ou vítima é, na realidade, um ator que não recebe nenhum choque. O objetivo da experiência é ver até que ponto uma pessoa prosseguirá numa situação concreta e mensurável em que lhe é ordenado infligir uma dor crescente numa vítima que protesta
O mais impressionante desta experiência é que 2/3 do grupo estudado enquadraram-se no grupo de "obedientes", ou seja, impingiram choques elétricos só porque estavam sendo ordenados a isso. Em 2009 a BBC repetiu a mesma experiência com 12 indivíduos e somente 3 recusaram-se de prosseguir com a experiência. O resultado pode ser visto no vídeo abaixo.



Biblioteca Digital Memória da CNEN

quarta-feira, 14 de março de 2012
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) desenvolveu a Biblioteca Digital Memória da CNEN reunindo a literatura produzida pelo seu corpo funcional, tanto na área nuclear como não nuclear, com foco na preservação do conhecimento institucional. A Biblioteca abrange todos os tipos de documentos produzidos desde a década de 50 como artigos de periódicos e conferências, teses e dissertações, relatórios (publicados e de circulação interna), e normas técnicas. O mecanismo de busca de conteúdo do site permite ao internauta encontrar textos de autores ou assuntos específicos.

Numa área destinada a informações organizacionais da CNEN podem ser encontrados o perfil da instituição e de suas principais unidades. Os presidentes, tanto o atual, como os que o antecederam, são apresentados com foto e breve currículo. Relatórios anuais com informações detalhadas das atividades desenvolvidas estão publicados, abrangendo desde a criação da CNEN, em 1956, até o ano de 2010. Também são registradas as subordinações institucionais e as composições da sua Comissão Deliberativa ao longo dos anos.

O site inclui ainda a legislação do setor nuclear. Leis, decretos, portarias, outros atos legais e demais documentos, podem ser pesquisados em sistema de buscas próprio. A legislação pode ser pesquisada por ano de publicação, número do ato legal, assunto, entre outros critérios.

Uma cronologia dos principais acontecimentos da energia nuclear, no Brasil e no mundo, permite situar a instituição, seu desenvolvimento e suas atividades no contexto histórico.

O site começou a ser produzido há alguns anos e vem sendo continuamente ampliado e aprimorado. Inicialmente, foi disponibilizado apenas internamente para permitir ajustes necessários e, agora, é liberado para o acesso público no endereço http://memoria.cnen.gov.br

A Biblioteca, além de contribuir para a preservação do conhecimento institucional, tem também importância para a história da C&T do país, na medida em que documenta parte relevante do desenvolvimento da energia nuclear no Brasil.

Como encher um biquini atômico

sábado, 21 de janeiro de 2012
Aproveitando o calor enorme que está fazendo por aqui, resolvi falar um pouco sobre o biquini. Ora e o que tem a ver isso com física médica?




O biquíni foi criado pelo francês Louis Réard e lançado em 26 de junho de 1946. Seu nome foi escolhido pensando em seu potencial revolucionário, similar ao da bomba atômica que foi lançada experimentalmente no mesmo ano, pelos norte americanos, na ilha de BIKINI no pacífico. E realmente o biquíni causou furor durante muitos anos. As modelos da época se recusavam a posar com a peça que revelava o umbigo. Missão que a pioneira stripper Michelini Bernardini assumiu, sendo a primeira mulher a ser fotografada com a nova criação.Naquela época os EUA estavam fazendo testes nucleares no Atol de Bikini, Ilhas Marshall, no Pacífico sul. Neste lugar houve dezenas de testes incluindo a Operação Crossroads, Castle Bravo,que entraram para a história como algumas das mais poderosas e destrutivas. 

Bikini, na língua de seus habitantes, significa terra dos coqueiros e por falar em habitantes, naquela época, eram cerca de 200. Todos transferidos em 1946, pelas tropas americanas, com a promessa de que poderiam voltar em alguns meses. Como todos sabemos, isso não aconteceu. Em 1968, tentaram retornar mas passaram mal por conta da radioatividade que contaminou o solo e a água. Desde então, os habitantes de originais de Bikini foram instalados na ilha de Kilie e sabem que nunca voltarão às suas casas.

Começando o ano com pé direito

domingo, 8 de janeiro de 2012


No início do ano, quando as pessoas estão com as energias mais renovadas, com o otimismo em alta, vale a pena começar os trabalhos neste blog falando de um físico que superou todas as expectativas da vida, da saúde e da ciência. Estou falando de Stephen Hawking que completa 70 anos hoje.

O físico e cosmólogo foi diagnosticado com a doença de Lou Gehrig quando ele era um estudante de 21 anos. As pessoas diagnosticadas com esta doença, uma forma atípica de esclerose lateral amiotrófica, morrem em média 14 meses após o diagnóstico. Ele foi casado duas vezes e tem três fihos, nasceu na cidade inglesa de Oxford em 8 de janeiro de 1942, no tricentenário da morte de Galileu e sempre acreditou que a ciência era seu destino e, aconselhado pelos médicos, concentrou todas as energias no estudo da cosmologia.

Além de ser super comprometido com a ciência, também se preocupa em divugá-la para o maior público possível com toda a complexidade de seus estudos bastante 'digerida' para que todos possam entender.

Sendo assim, termino este post na esperança de termos um ano bastante produtivo e engrandecedor.


Google homenageia Marie Curie

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Google homenageia nesta segunda-feira Marie Curie com um 'doodle', em lembrança aos 144 anos de seu nascimento, no ano escolhido para marcar o centenário do segundo Prêmio Nobel de Química concedido à cientista polonesa.
Marie Curie, que fez importantes descobertas na área da radioatividade, foi a primeira mulher a ganhar um Nobel e a única a receber duas vezes a distinção instituída pelo inventor da dinamite, Alfred Nobel, em seu testamento.
Seus trabalhos sobre a radioatividade ampliaram os conhecimentos da física nuclear. Ela identificou dois novos elementos químicos, o rádio e o polônio, abrindo as portas para uma nova era da medicina com grandes avanços no tratamento de combate ao câncer.
Em 1903, a cientista recebeu o prêmio Nobel de Física ao lado do marido Pierre Curie e Henri Becquerel. Oito anos mais tarde conquistou sozinha o Nobel de Química.

Exposição sobre Marie Curie

quarta-feira, 19 de outubro de 2011
 Reportagem do jornal O Globo online do dia 17/10/11

Primeira mulher a ganhar o Nobel - em 1911, há exatos cem anos - e a única pessoa a recebê-lo duas vezes em áreas científicas, em física e química, Marie Curie é tema de exposição que, com o apoio do Consulado-Geral da França, ocupa desde segunda-feira o Centro Cultural Light (Avenida Marechal Floriano, 168, no Centro). O diretor do Museu Marie Curie, em Paris, Renaud Huynh, que está no Rio para a abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e também para as comemorações do Ano Internacional da Química, conversou com O GLOBO sobre a pesquisadora. Marie Curie foi a responsável pela descoberta da radioatividade, o que levou ao desenvolvimento de exames de ultrassonografia a terapias para o tratamento do câncer. Na mostra, fotos da época, um documentário sobre a cientista e alguns vídeos.

O que a exposição e Marie Curie, uma cientista do início do século, têm a dizer para o Brasil atual?

RENAUD HUYNH: A exposição permite uma visão sobre a vida de Marie como pesquisadora e como mulher - uma questão que está sempre no centro dos debates. A mensagem importante é que é preciso ter prazer no ato de fazer ciência, apesar dos obstáculos.

Marie Curie é conhecida pelo grande público?
HUYNH: Ela é mais conhecida aqui do que na França. Talvez essa notoriedade se deva ao fato de ter visitado o Brasil pelo menos duas vezes: em 1911 e 1926. Não sei dizer a imagem que ela tem aqui, mas creio que seja a de alguém que buscou a ciência pura e desinteressada de ganho material. Ela foi integrante da Academia Brasileira de Ciências, mas não conseguiu ser eleita para o órgão semelhante da França. Perdeu por um voto, e não porque seu trabalho não era reconhecido, mas simplesmente por ser mulher.

Ela foi a primeira mulher a ganhar sozinha o Prêmio Nobel. Cem anos depois desse feito, a competição entre sexos na ciência ainda lhe parece desigual?
HUYNH: A posição delas melhorou bastante, mas ainda não é a ideal. Muitas, como no início do século, têm dificuldade de ver o trabalho reconhecido. Em 1903, a ideia era dar o Nobel apenas para o seu marido, Pierre Curie. A família teve que lutar para vê-la também laureada. Em 1995, o governo francês quis homenageá-la e transferiu seu corpo para o Panteão, onde são sepultadas as grandes personalidades de nosso país. Dessa vez, foi o Pierre que quase ficou de fora. Esse episódio mostra como nossa mentalidade está mudando.

Mesmo com o Nobel, a condição de estrangeira (Marie nasceu na Polônia) a fez ser vítima de preconceito?
HUYNH: Por volta de 1910, ela passou a ser perseguida pela imprensa nacionalista. Mas, com o início da 1ª Guerra Mundial, ela desenvolveu aparelhos portáteis de raio-X para os militares, o que a fez ganhar muita simpatia. Recentemente ela foi reconhecida, em uma votação popular na Polônia, como a mulher mais importante de todos os tempos daquele país. Acho que Marie não é polonesa nem francesa; é internacional.

O Instituto Curie, em Paris, tem como prioridade pesquisas relacionadas ao câncer?
HUYNH: Sim, especialmente os femininos: o câncer de útero e de mama. Mas diversificamos nossas atividades. Temos 3 mil pesquisadores de 70 nacionalidades. Somos o único centro de pesquisas europeu a usar um acelerador de partículas para radioterapia de tumores que não podem ser operados. Normalmente os centros de pesquisa não interagem com a ala hospitalar. Lá ambos estão juntos, o que permite um tratamento mais rápido.

O que Marie teria a dizer sobre acidentes nucleares como o de Fukushima?
HUYNH: Acho que ela diria que deve-se reforçar sempre a segurança. Pierre Curie, quando venceu o Nobel, disse que a radioatividade é como dinamite: pode ser muito útil ou destruidora. A Marie era muito cuidadosa com isso. Mas também tinha consciência dos benefícios que aquilo traria para a saúde - coisas bem mais importante do que uma queimadura na mão, por exemplo.

Bananas de radiação

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Em minhas buscas pela internet, encontrei uma unidade de exposição às radiações ionizantes chamada BED (Banana equivalent dose). Isso mesmo...banana!!!! Essa excêntrica unidade, segundo o oráculo Wikipedia, é informalmente definida como a dose adicional que a pessoa vai absorver por comer uma banana. É sério!!!!

O conceito é baseado no fato de que as bananas, como maioria do materiais orgânicos, naturalmente contêm uma certa quantidade de radioisótopos , mesmo na ausência de qualquer tipo de poluição ou contaminação artificial. A dose equivalente de banana foi destinada a expressar a gravidade da exposição à radiação, como resultantes de energia nuclear, armas nucleares ou procedimentos médicos, em termos que fazem sentido (ou deveriam fazer) para a maioria das pessoas.

Por conta do 40K, as danadas são radioativas o suficiente para causar falsos alarmes em sensores detetores de material radioativo usados em portos. Mas de quanta dose absorvida de radiação estamos falando?

A unidade de dose de radiação costuma ser Sieverts (Sv), muito provavelmente, seu submúltiplo miliSievert (mSv), que é, por sinal, uma unidade relativamente grande. A ingestão diária de uma banana implica numa dose absorvida de 0,1 microSievert (µSv). Um total de 365 bananas num ano, uma por dia, te dariam uma dose de radiação de 36 µSv.

Trazendo para a prática: um raio-X de aeroporto te expõe a uma dose de 0,05 a 0,1 µSv. Desta forma, uma passagem de verificação no portão de embarque equivale a comer uma banana.

Já um raio-X dentário, do tipo panorâmico, te exporia a algo em torno de 20 µSv. Algo como comer umas 200 bananas ou passar 200 vezes no raio-X do aeroporto. Um raio-X do tórax já seria mais comprometedor, dando-lhe uma dosinha de “meros” 800 µSv, umas 8 mil bananas: seria como comer 22 destas por dia, durante um ano. Nossa, já enjoei! Claro, você nunca conseguirá comer bananas o suficiente para que seja perigoso, já que hora ou outra seu corpo cag... eliminaria o excesso de potássio.

Mas como se a “bananinha” que você enfrenta no portão de embarque de um aeroporto não fosse suficiente (e, realmente, é uma dose ínfima), um vôo intercontinental de umas 12 horas te exporia a cerca de uns 40 µSv, ou 400 destes scanners de raios-X. Isto acontece porque em altitude de vôo, existe uma exposição maior às radiações advindas do espaço a que todos os terráqueos estão diariamente expostos – além da maldita banana!
Na verdade, a cada ano recebemos o equivalente a 3,6 mSv de radiação do espaço, isto no nível do mar; a altitudes mais elevadas, estes valores crescem. Seria como comer quase 100 bananas por dia durante 1 ano, ou fazer 180 raios-X dentários panorâmicos.

Ok, para que vou usar isso? Faça as contas comigo: estima-se que uma dose absorvida de 10 mSv em um ano reduz a expectativa de vida de um ser humano em 51 dias, devido ao aumento do risco de se desenvolver câncer. Isto significa que a ingestão de 1 banana por dia, em um ano, reduzirá sua expectativa de vida em 1/5 de dia, ou 5 horas por cada 365 bananas ingeridas. Consumir 1 banana por dia durante um ano, somado à radiação que você receberá naturalmente do espaço ao decorrer desta voltinha ao redor do Sol, reduzirá sua expectativa de vida em quase 19 dias. #papai smurf, falta muito?
Para finalizar, o consumo de um cigarro aumenta seu risco de desenvolver câncer tanto quanto no caso da absorção de 70 µSv de radiação. Isto são 700 bananas, ou 2 por dia, num ano.
Diante de tantas opções, fica a seu cargo: fumar 1/700 de um cigarro, ou comer uma banana; expor-se aos 3,6 mSv anuais de radiação espacial ou isolar-se num abrigo nuclear à companhia de 51 cigarros, ou talvez 36 mil bananas. #toficandocommedo.com.br

Mas não é só em bananas que encontramos uma certa exposição, olha só esse vídeos mostrando contagens em um tipo específico de sal e em uma tigela de cerâmica. O tal sal é rico em cloreto de potássio, diferente do sal comum que é cloreto de sódio. E por conter uma grande quantidade de potássio, ele também pode apresentar uma leve radioatividade.



Olha só esta antiga tigelinha de cerâmica (Fiestaware) que continha uma camada colorida de óxido de urânio, e que não é mais comercializada por causa da alta radiação que podia apresentar.Já pensou comer nisso aí?





Fontes: 

Porque uma imagem vale mais que mil palavras...

quarta-feira, 22 de junho de 2011
Imagem: Getty Images

Você se aproximaria de um tonel como esse? Provavelmente não. E isso acontece porque você já tem em seu arcabouço de imagens que este trifólio significa, de alguma forma, perigo.
O trifólio radioativo denota radiação ionizante ou a presença de materiais radioativos. Ele é o padrão internacional para alertar dos perigos relativos a exposição as radiações ionizantes. Tais radiações incluem radiações alfa, beta, gama (que são nucleares), raios x e campos de partículas (como em um acelerador de elétrons, por exemplo). 



Este símbolo é padronizado (há regras para desenhá-lo corretamente) e reconhecido pela maior parte das agências regulatórias, tais como IAEA e CNEN. Muitas vezes ele pode aparecer com algum texto identificando o tipo de fonte, a radiação emitida e outrs informações relevantes. Por ser um símbolo oficial, deve-se respeitar a escala, cores e orientação da imagem - é muito comum encontrá-la invertida.



Este símbolo foi desenvolvido pela primeira vez em 1946 pelo Berkeley Radiation Laboratory da Universidade da California. Ele consistia em um trifólio magenta sobre um fundo azul. O pesquisador Nels Garden explicou o uso de tais cores em uma carta. Sobre este tom de magenta ele escreveu: "era distinta e não entra em conflito com qualquer código de cores que estávamos familiarizados. Outro fator a seu favor foi o seu custo... O alto custo vai dissuadir os outros de usar esta cor promiscuamente." Explicando o fundo azul, ele disse, "O uso de um fundo azul foi escolhida porque há muito pouca cor azul sendo usada na maioria das áreas onde o trabalho com material radioativo seria realizado."



Apesar da opinião contrária de Garden, a maioria dos trabalhadores sentiu que um fundo azul era uma má escolha. Azul não era para ser usado em sinais de alerta e ela desbota, especialmente em áreas externas. Sendo assim, o uso de amarelo foi padronizado pelo em Oak Ridge National Lab no início de 1948.




No final dos anos 50, o American National Standards Institute normalizou o símbolo com as cores preto e amarelo que conhecemos. A ideia é que o sinal se torna mais grave, mais sério e é aceito universalmente. Só devemos lembrar que as normas no Brasil falam somente do magenta.




Para saber mais:
www.depletedcranium.com e www.orau.org


Feito com ♥ por Lariz Santana